2025. Prometeram carro voador, ou pelo menos cura pro resfriado. Ganhamos LLM que escreve soneto shakespeariano sobre torradeira, mas alucina propriedade CSS quando tenta centralizar uma div.
Todo mundo virou "Engenheiro de IA". Tem júnior que nunca debugou race condition porque cola o erro no chat e reza, tratando o modelo como oráculo. O código funciona na maioria das vezes, mas falta intenção de quem entende o sistema além da sintaxe. Fica sem alma.
As demos e tutoriais da "Falácia Greenfield" só mostram codebase novo e limpinho. "Olha como é fácil construir ToDo com IA!" Maravilhoso. Aponta o mesmo modelo pra um monólito de 7 anos em Java 8, com lógica espaguete, variáveis em três idiomas e documentação num post-it do Dave, que se aposentou em 2019. Vai lá, eu espero.
No Brownfield, a IA parece um estagiário confuso. Sugere refatoração que quebra seis camadas de injeção de dependência e tenta modernizar código estrutural por razões que ninguém mais lembra. Falta conhecer a história.
A gente tá se afogando no ruído que produz. A relação sinal-ruído da internet despencou enquanto priorizamos velocidade e acumulamos dívida técnica na velocidade da luz, deixando a qualidade pra trás.
Eu uso as ferramentas e acho que vale usar, desde que sem confiar cegamente. Estuda os fundamentos e o modelo de memória. Lê a documentação inteira quando precisar, além do resumo do ChatGPT. O modelo vai alucinar e tu vai ter que consertar. Sem saber como a máquina funciona, tu vira passageiro de um carro sem motorista acelerando em direção a um segfault.