Mais um ano. Bora.
O bom
Ferramenta de código com IA foi de brinquedinho pra algo sem o qual já não consigo imaginar trabalhar. O Claude Code virou meu pair programmer: descrevo uma migração complexa em 42 módulos NestJS e ele faz 80% do trampo direito. Fizzbuzz de demo com plateia aplaudindo ficou pra trás. Os outros 20% ainda precisam do meu cérebro, e essa é a parte divertida.
O TOPO Contábil cresceu de projeto ambicioso pra plataforma com 42 módulos, 252 use cases e cliente usando pra gerenciar dinheiro. Quem trabalha com fiscal no Brasil conhece a insanidade do sistema tributário. Nosso software diminui um pouco isso, e me dá satisfação.
A Yooga mandou bem. O PDV evolui, os restaurantes continuam assinando e o processamento de pagamento melhora. Ser Tech Lead numa empresa que cresce e dá lucro é raro e maravilhoso.
O MacBook M4 Max mudou minha relação com as ferramentas. Sem a máquina como gargalo, consigo experimentar mais, iterar rápido e esperar menos. É meu primeiro computador em que não penso no hardware enquanto trabalho.
O Sigil Protocol tomou forma. Identidade de agentes de IA vai importar cada vez mais conforme ganham autonomia. A gente tá cedo, mas a fundação tá sólida.
O FlowForm provou que formulário conversacional com LLM pode ser melhor que o tradicional. Mais usuários completam porque conversar é mais natural do que preencher caixinha.
O ruim
O hype de IA ficou insuportável. Toda startup virou "empresa de IA" e toda feature, "powered by AI". Botam um wrapper de ChatGPT e chamam de inovação. Grana de VC fluiu feito água pra qualquer pitch deck com IA, mesmo sem o produto fazer sentido.
O mercado de trabalho continuou bizarro. Empresa demite engenheiro e reclama que falta talento. Vaga sênior exige 15 tecnologias; vaga júnior, 3 anos de experiência. Ninguém conserta porque reclamar no LinkedIn sai mais barato que contratar e treinar.
Open source segue insustentável. Voluntário exausto mantém a infra mais crítica da internet, empresa bilionária usa de graça e manda adesivo de agradecimento. A gente não consertou isso e não vai consertar.
O alucinado
O LinkedIn perdeu o controle. Ou o post é "Fui DEMITIDO e isso foi a MELHOR coisa que aconteceu" ou é "Dei FÉRIAS ILIMITADAS e nosso faturamento TRIPLICOU". Ninguém fala a verdade ali. É sucesso performado, teatro corporativo.
Conteúdo de IA inundou as plataformas. Blog diz nada em 2000 palavras. Thread é GPT-4 com prompt de personalidade. Comentários chegam com "Ótima análise! Concordo particularmente com seu ponto sobre...", 100% gerados. Nenhum ser humano fala assim na vida real.
Toda semana saiu artigo sobre IA substituir dev, escrito por quem nunca escreveu código. Acho que a IA substitui tarefas; os devs que aprendem a usar a ferramenta vão substituir os que não aprendem. É assim desde a invenção do compilador.
O pessoal
Shipei mais que em qualquer ano anterior. Claude Code, M4 Max e o conhecimento de arquitetura que acumulei me deixaram trabalhar mais rápido sem cortar caminho. Velocidade e qualidade subiram juntas, coisa rara pra caralho.
Fiquei melhor em recusar feature que não importa, reunião que podia ser mensagem e refatoração bonita que não ajuda usuário. Talvez seja a skill mais importante de um tech lead.
Também escrevi aqui com consistência. Um dev que faz blog e realmente usa. A profecia se cumpriu.
Gostei de 2025, mesmo com os problemas. O trabalho teve significado, as ferramentas melhoraram e o código shipou. Vamo ver o que 2026 quebra.