Bom dia. Bora pra rodada.
"Ontem trabalhei na task. Hoje continuo na task. Sem bloqueios."
"Idem de ontem."
"Fiquei em reunião o dia inteiro e não consegui fazer nada, mas hoje com certeza faço." (Narrador: não vai.)
"Tô esperando a API do outro time." (Fala isso há três semanas. A API não existe e o outro time nem sabe que precisa fazer. Ninguém verificou, mas tá lá no standup todo dia.)
"Idem."
Torramos 15 minutos pra aprender o que já tava no quadro do Jira, que ninguém abriu. Pra que olhar a fonte da verdade quando dá pra encenar ao vivo toda manhã, numa peça de teatro ágil? Tá mais pra Broadway que Scrum.
A daily virou um ritual pra fazer o gerente sentir que as coisas andam, uma oferenda aos deuses da Produtividade. Todo mundo no mute esperando a vez de recitar a encantação. Depois volta ao trabalho como se nada tivesse acontecido.
Cronometrei nossas dailies durante um mês. A média foi 14 minutos, com uns 45 segundos de informação útil. Geralmente era "aê, aquele endpoint mudou, se liga". Uma mensagem no Slack resolve em dois segundos, mas a gente chama 8 pessoas pra uma call.
Cancelar seria heresia. Significaria que tu não é ágil, não valoriza comunicação, é rebelde. O Scrum Guide exige, e é texto sagrado que Ken Schwaber trouxe das montanhas gravado em tablets de post-it amarelo.
Eu trocaria por um bot que lê o Jira e posta um resumo no canal do time. Quem tiver bloqueio escreve. Se ninguém escrever, economizamos 15 minutos. Faz isso nos times de todas as empresas e devolve milhões de horas pra humanidade. Pra codar ou pra não codar, tanto faz. Pelo menos não é uma daily.