Tô com o MacBook Pro M4 Max faz umas duas semanas. Queria ver o que mudava no trabalho quando a máquina deixasse de ser o gargalo. Score de Geekbench não me interessa muito.
Primeira coisa que fiz: clonar o TOPO Contábil, 42 módulos NestJS num monorepo. Na máquina antiga, cold start com compilação completa levava uns 90 segundos. No M4 Max, leva 23. Saí do "vou olhar o celular enquanto compila" pro "peraí, já terminou?"
Docker build é onde fica absurdo. Build multi-stage das imagens de produção foi de 4+ minutos pra menos de 70 segundos. Rebuildei tudo três vezes só pra ter certeza que não tava alucinando. A arquitetura de memória unificada faz o Docker parar de brigar por RAM. Dei 24GB e o sistema nem piscou.
Rodei toda a suíte de teste dos 42 módulos, com os specs em paralelo, enquanto o Docker buildava em outro terminal e o Claude Code indexava o codebase. O fan deu, talvez, um sussurro. Meu MacBook Pro Intel teria soado como turbina de avião antes de engasgar de thermal throttle até ficar inutilizável.
Rodar assistente de código com LLM envolve processamento constante de contexto, indexação de arquivo e construção de prompt gigante. O M4 Max segura o Claude Code sem lag perceptível. As respostas parecem mais rápidas por causa do processamento local em volta, que é instantâneo; a API continua com a mesma velocidade.
Uma coisa que me surpreendeu: compilação não é mais gargalo, então agora eu noto outros gargalos que nunca tinha visto. Latência de rede pro staging. Seed de banco lento. Aquele teste de integração que demora 8 segundos porque realmente bate numa API externa (vergonha nossa). Quando a máquina é rápida o suficiente, tu finalmente vê onde a lentidão real mora.
GPU de 40 cores é overkill pra dev. Não treino modelo localmente. Mas ter 48 GB de memória unificada significa que posso rodar toda nossa stack de infra no Docker, ter 30 abas no Arc, rodar VS Code e JetBrains ao mesmo tempo, e ainda ter folga. Isso importa.
O que eu não esperava: mudou meu workflow. Eu costumava agrupar tarefa porque troca de contexto tinha custo de compilação. Agora pulo entre módulo livremente. Rodo teste com mais frequência porque o feedback loop é quase instantâneo. Experimento mais porque rebuildar é barato.
Se tu escreve código pra viver e tá numa máquina mais velha que M2, acho que vale o preço. Foi a fricção que desapareceu do trabalho que me convenceu, mais do que qualquer benchmark.
É a primeira máquina em que consigo trabalhar e esquecer do hardware. Pra mim, essa é a melhor coisa que uma ferramenta pode fazer.